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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Michelli Nahid


por Triana Ballestá



A escolha da primeira “musa” não foi em vão. Michelli Nahid foi a bailarina que me despertou um novo olhar para a dança do ventre e o interesse real em estudar a fundo a “música+dança” e não apenas a música a serviço da dança como mera ilustração.
Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e fazer alguns dos seus workshops. Primeiro como podem observar, ela conduz rigorosamente sua dança de acordo com o andamento da música dividido em basicamente 3 segmentos: pulsação, instrumentos e melodia.
Esses 3 segmentos da música oriental árabe “ditam as regras”. A princípio pode parecer inflexível, quadrado ou até mesmo previsível demais, mas não! Altamente criativa e com um quadril impecável de movimentos marcantes ela consegue sempre me surpreender. Há que se ter um olhar rebuscado e ao mesmo tempo leigo para compreender e simplesmente gostar de seus shows.
Michelli engana os nossos sentidos ao acharmos que estamos ouvindo seu corpo ou então, visualizando a música em seu corpo.
Dona de um estilo tradicional, Michelli Nahid gosta de trajes que fazem jus a isso. Franjas, saias godê e um toque de classe e elegância com seus sapatos scarpin. Seu repertório musical é riquíssimo, na maior parte, músicas que ficaram famosas pela voz de Kulthoum, atendendo sempre as expectativas de seu público.

Como educadora física, Michelli tem uma preocupação peculiar com a fisionomia na dança do ventre. Essa é visível, já que nunca sai “torta”, com mãos relaxadas, barrigão pra fora ou pernas desalinhadas em uma foto tirada em cena. Além disso, diferencia categoricamente a postura usada em dança do ventre das outras atividades. Como no Ballet clássico, por exemplo, que não tem necessidade de movimentar o ventre tão pouco evidenciá-lo.
Tecnicamente, seus movimentos são de um impacto extraordinário, limpos, amplos e precisos. Em movimentação e giros conseguem ser igualmente impactantes, porém com grande leveza.
Sua expressão facial é contagiante, sorriso aberto e festivo como toda boa anfitriã.
Michelli Nahid está no meu mural de “Musas” porque além de dançar a milenar dança do ventre, em sua essência. Consegue surpreender, com qualidade técnica e criativa. Sem a necessidade de apelar aos modismos e malabarismos que tanto impressiona o público ansioso (e desatento) por disparates de efeitos especiais a curto prazo.



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