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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Samya Gamal - Porque ela?

por Triana Ballestá



Estou trabalhando num projeto gráfico no qual faz parte dele selecionar imagens das grandes dançarinas do ventre do Egito na Gold  Age (que teve início na década de 20). Tive a necessidade de escrever sobre a minha preferida: Samya Gamal.

Não sei o motivo que a leva ser minha preferida, me desculpem, realmente não consigo explicar, pois existem outras bailarinas que dentro de um olhar analítico e artístico fazem mais meu gosto e admiração. Não sei também se é injusto qualificá-las tão friamente esses grandes nomes da dança. Todas no mínimo tinham que ser espetaculares para estarem onde estavam, isso me causa certa inveja pelo tempo que passou sem eu ter presenciado e como as coisas mudaram no mundo, Hossan Ramzy expressou isso muito bem em uma palestra e eu me identifiquei demais.



Samya, tecnicamente falando,  tem (tinha) ondulações tão rápidas e perfeitas que só ela era capaz de fazer, oitos simplesmente perfeitos e como seus ângulos são facinantes! É como um mistério, cuja resposta está a mostra, na cara de todo mundo, desvendado, mas continua uma pulguinha atrás da orelha... como eh isso?

Ombros charmosos se encolhem e se mostram apontando seu belo sorriso aberto que nos obriga a sorrir junto a ela.

Seus braços não aleatoriamente se movem e se curvam para que as notas musicais passem livremente pelo pouco espaço que sua presença não ocupa.




Será que consegui explicar? Só sei que ela, hoje, é a minha maior inspiração!



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Serenando

 por Triana Ballestá



Serena Ramzy
                                     
                                                        
Falar um pouco sobre a bailarina genial que é Serena Ramzy é uma grande satisfação e me emociona muito, já que tive o prazer de conhecê-la pessoalmente a poucos dias. Passei momentos incríveis ao lado de Serena e Hossam Ramzy e várias outras pessoas maravilhosas que conheci por lá, no evento que durou 3 dias, entre workshops, palestra e show,  na cidade de Americana, promovido pela bailarina Dani Agnis.

Assim que me mudei pra Cuiabá retomei minhas aulas de dança do ventre, depois de quase 3 anos me dedicando a faculdade, casamento, filho e outros  trabalhos. E foi minha grande amiga e professora Yasmine Amar que me apresentou a bailarina Serena.
Yasmine me pediu para dançar uma música na salinha, que gentilmente chamávamos de “cafofo”, era realmente muito aconchegante. Bom, levei a música “El Hob” de Hossam Ramzy (coincidência?) e no final ela me disse que eu lembrava muito a Serena.
Demorou alguns meses até que eu visse um vídeo da Serena, pois, na época, não havia muitos vídeos disponíveis no youtube. Mas é claro, que quando a vi, me encantei e me senti extremamente feliz pelo comentário que a Yas havia feito!

Então essa é a parte que eu falo sobre o que exatamente me encantou e continua me encantando cada vez mais no trabalho de Serena Ramzy. Essencialmente 2 coisas: Leitura musical e movimentos de quadril.
Sobre a leitura musical, precisaria de alguns artigos para poder explicar melhor sobre sua construção, o que não se faz necessário, já que o próprio Hossam Ramzy os fez  com infinitas propriedades superiores a minha. E estão disponíveis em seu site (www.hossamramzy.com). Porém tenho a obrigação de expressar aqui por meio das minhas próprias palavras o quão profundamente me toca a sua dança: a calma, tranquilidade, “serenidade” que essa bailarina expressa com músicas que, antes, para mim eram tão agitadas, fortes, chegava a tirar o folego só de ouvir! Tenho a certeza que meus olhos estavam mal acostumados com interpretações de outras bailarinas que me confundiam os ouvidos.
“Difícil mesmo é ser simples”, pois a simplicidade de Serena é muito complexa! Não na teoria, que para mim é muito inteligente, racional e óbvia, e sim na prática. Deve-se ouvir, ouvir e ouvir muitas e muitas vezes para se conseguir construir as composições coreográficas desse nível. Creio que é necessária também uma boa dosagem emotiva particular (dessas que não se aprende, nasce com a pessoa) e pra fechar, muito estudo dos movimentos, o que ligeiramente se encaminha para o segundo motivo: O QUADRIL DE SERENA, o que torna tudo muito mais complexo!
Indescritíveis são os movimentos do quadril de Serena chego a duvidar que se trata realmente de movimentos, me parece as vezes algum outro tipo de conceito que ainda será inventado, certamente não por cientistas ou linguistas, e sim por poetas, pois os músicos, já o tentaram. Por isso  não é pertinente a mim descrever com a brutalidade das minhas palavras.
Serena Ramzy é sem dúvida uma bailarina que já tem seu lugar garantido entre as grandes estrelas da Dança do Ventre e tenho certeza que sua generosidade e amor verdadeiro por essa arte geram e irá gerar tantas outras maravilhosas bailarinas pelo mundo afora. Seus projetos com Hossam são audaciosos, porém, nada menos do que se esperam suportar, pois suas capacidades são compatíveis. Farei o possível para disfrutar de seus conhecimentos sempre, e é claro, me esbaldar na dança de serena: Serenar!


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Michelli Nahid


por Triana Ballestá



A escolha da primeira “musa” não foi em vão. Michelli Nahid foi a bailarina que me despertou um novo olhar para a dança do ventre e o interesse real em estudar a fundo a “música+dança” e não apenas a música a serviço da dança como mera ilustração.
Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e fazer alguns dos seus workshops. Primeiro como podem observar, ela conduz rigorosamente sua dança de acordo com o andamento da música dividido em basicamente 3 segmentos: pulsação, instrumentos e melodia.
Esses 3 segmentos da música oriental árabe “ditam as regras”. A princípio pode parecer inflexível, quadrado ou até mesmo previsível demais, mas não! Altamente criativa e com um quadril impecável de movimentos marcantes ela consegue sempre me surpreender. Há que se ter um olhar rebuscado e ao mesmo tempo leigo para compreender e simplesmente gostar de seus shows.
Michelli engana os nossos sentidos ao acharmos que estamos ouvindo seu corpo ou então, visualizando a música em seu corpo.
Dona de um estilo tradicional, Michelli Nahid gosta de trajes que fazem jus a isso. Franjas, saias godê e um toque de classe e elegância com seus sapatos scarpin. Seu repertório musical é riquíssimo, na maior parte, músicas que ficaram famosas pela voz de Kulthoum, atendendo sempre as expectativas de seu público.

Como educadora física, Michelli tem uma preocupação peculiar com a fisionomia na dança do ventre. Essa é visível, já que nunca sai “torta”, com mãos relaxadas, barrigão pra fora ou pernas desalinhadas em uma foto tirada em cena. Além disso, diferencia categoricamente a postura usada em dança do ventre das outras atividades. Como no Ballet clássico, por exemplo, que não tem necessidade de movimentar o ventre tão pouco evidenciá-lo.
Tecnicamente, seus movimentos são de um impacto extraordinário, limpos, amplos e precisos. Em movimentação e giros conseguem ser igualmente impactantes, porém com grande leveza.
Sua expressão facial é contagiante, sorriso aberto e festivo como toda boa anfitriã.
Michelli Nahid está no meu mural de “Musas” porque além de dançar a milenar dança do ventre, em sua essência. Consegue surpreender, com qualidade técnica e criativa. Sem a necessidade de apelar aos modismos e malabarismos que tanto impressiona o público ansioso (e desatento) por disparates de efeitos especiais a curto prazo.