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segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Sentido da arte para o artista

Por Triana Ballestá

Não acredito em um “sentido para a vida”, como diria Gullar, “o sentido da vida é reinventado a todo instante”.
Sim, a arte faz parte desse jogo de inventar e reinventar nossas vidas, ou melhor, o sentido que nós damos a ela e para mim, é difícil separar o “consumir” arte do “fazer” arte. Nesse ponto, partilho da mesma necessidade de Oswaldo Montenegro, quando diz que se não for pra viver arte, tocar arte, respirar arte, de nada adianta. Adianta o que? Para mim, o tal “sentido”.
As artes contemporâneas muito contribuem para que a vivência artística esteja presente tanto ao produtor quanto ao consumidor dela, no entanto, deixarei as artes contemporâneas para outro momento.
Osho diz que antes de sermos altruístas, devemos ser egoístas, ou seja, devemos primeiro aprender a nadar, nos nutrir desse conhecimento e experiência para que possamos salvar alguém das correntezas. Raul seixas, também diz “Meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”.  Enfim, expressão muito clara de que todo altruísmo não passa de egoísmo, ouso dizer “duplicado”. Nesse sentido, gostaria muito que todo produtor de arte fosse duplamente egoísta, que a arte alimentasse muito além do que apenas ego dos artistas.
Ferreira Gullar

O “fazer artístico” que está presente em nosso dia-dia se confunde, ou se funde com a “arte terapia”. Dispomos de milhões e milhões de telas pintadas por senhoras que necessitam de se distrair, ou de milhões de jovens mulheres que se enfeitam com suas lantejoulas para uma apresentação de dança no teatro gerando outro tanto de espectadores que não estão preocupados em consumir arte, transcender, de suprir-se de conhecimento e cultura e sim em bater palmas para sua filha, prima, esposa ou irmã se sentir mais feliz, plena e realizada.
Nós não precisamos de muito para nos satisfazer quando nós mesmos somos os produtores de luzes, cores, sons e movimentos. Apenas a ilusão de que somos estrelas nos basta e nem nos ocorre perguntarmos se algo foi acrescentado ao público, além do orgulho ou vergonha que por ventura possa  sentir por nossa grande desenvoltura no palco, sendo nossos familiares, amigos ou conhecidos.
Não sei se é uma questão de amadurecimento, consciência ou mesmo certo cansaço, apenas sei que o papel de “Maria lantejoula” não me satisfaz mais.
Não acredito em um “caminho para a felicidade”. A felicidade acontece quando conseguimos depositar algum “sentido” em nossa vida, e como este é reinventado, a felicidade também é reinventada.
(Michelli Nahid)

Dançar, desenhar, criar, não é a fonte e nem o caminho para a felicidade, não busco algum tipo de realização pessoal em apenas praticar algo para alimentar meu próprio ego. Este só irá acontecer se for duplamente empregado, ou seja, a minha realização está diretamente ligada e dependente a realização do público. Já não me importa mais o meu rubor, as minhas palpitações ou anestesia dos pés, são necessárias, assim como o nado ao nadador, porém o sentido maior estará em livrar o outro das correntezas, no caso do artista, de fazer o publico transcender e sair de lá melhor do que entrou, e então, depois de todos a salvo, vem o sentimento pleno, feliz e verdadeiro de missão cumprida.
(Triana Ballestá)

Um comentário:

  1. Adoro seu blog do começo ao fim e adoro ler tudo o que você escreve Tri!
    Você é mega sabida!
    Saudades de você!

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